Antes de tudo, gostaria de relembrar um passado já bastante distante, onde nós trabalhadores CLT, fomos contemplados com a mesma medida, que na época, foi passada de 54 horas semanais de trabalho, para 44 horas, o que, assim como hoje, também dividiu opiniões entre entidades sindicais e empresariais. Enquanto entidades patronais apontavam riscos de alta na inflação e queda na competitividade, o Ministério do Trabalho defendia a transição como um avanço para milhões de trabalhadores. A volúpia do Congresso em aprovar a media foi idêntica ao de ontem.
Poucos, no entanto, devem se lembrar das consequências da medida. Para exemplificar, a minha jornada de trabalho passou das 6h50 às 18h15, para 7h30 às 17h30, um poderoso avanço. No antigo sistema, no entanto, arrumávamos tempo para a família, estudos, treinos e jogos de Bolão e futebol, sem nos queixarmos. Aliado aos problemas econômicos da época, uma da consequências foi o fechamento dos postos de gasolina aos finais de semana. Longas filas se formavam às sextas-feiras em frente aos postos para abastecimento de combustíveis. O Governo, em função disto, liberou o abastecimento aos domingos apenas em cidades com apelo turístico, das 10h às 17h.
Obviamente, as circunstâncias atuais são completamente diferentes. Contudo, nada acontece no mundo corporativo, quanto ao consentimento de benesses, sem consequências. No Bolão, Clubes e Sociedades, funcionários de limpeza, rouparia (lavanderia) e manutenção passarão a atuar em sistemas de rodízio, exigindo que o clube aumente o efetivo para cobrir os dias de folga extras sem prejudicar a rotina diária e os dias de jogos. Como as atividades exigem finais de semana e feriados movimentados, os clubes precisarão de acordos sindicais rígidos para manejar as folgas preferenciais no domingo e a compensação de horas.
A redução de 44 para 40 horas semanais afeta diretamente o cálculo do divisor de horas extras. Qualquer hora extra realizada em dias de partida custará mais aos cofres dos clubes, que já lidam com orçamentos apertados. Ademais, para evitar o acúmulo de horas extras e passivos trabalhistas, os clubes precisarão expandir os quadros de funcionários, o que impacta o custo da folha de pagamento institucional.
As benesses sempre vêm acompanhadas de custos que exigem algum tipo de contrapartida, seja ela financeira, de tempo ou de liberdade. Uma vez que os políticos, numa "cegueira" política coletiva, não enxerguem os custos ocultos da medida, para contornar essas armadilhas, a melhor estratégia é analisar de imediato todas as consequências.

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