As guerras pelo mundo e as maracutaias no Brasil: "tudo como dantes no quartel-general em Abrantes!" Sempre alimentei a esperança que um dia os homens públicos se encarregariam de dar outros rumos ao país e ao mundo. Infelizmente, com os últimos acontecimentos, constato que os fatos em nada mudaram. Aliás, só pioraram e muito. Nos últimos meses, notícias de maracutaias eclodem em todo o Brasil e guerras se alastram pelo mundo afora. A cada nova denúncia, aumenta o asco, a revolta e o desejo por punições. A ânsia de justiça extravasa, mas sem eco, pois ninguém escuta.
Ao iniciar o artigo lembrei-me da deslumbrante e reverente saudação de nosso hino que diz "Pátria amada, idolatrada, salve, salve!", que talvez, nestes tempos bicudos, devesse ganhar outra conotação "Salvemos nossa querida Pátria Amada, idolatrada, enquanto é tempo."
Debruçando-me sobre outros fatos do passado, vejo que no ano de 1871, o extraordinário escritor português, José Maria Eça de Queiróz, referindo-se à Portugal, assim se expressou: "Estamos perdidos há muito tempo. O País perdeu a inteligência, a consciência moral. Os costumes estão sendo dissolvidos, as consciências em debandada. Os caracteres corrompidos. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém mais se respeita. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. O Estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. Diz-se por toda a parte que o País está perdido."
Parece escrito hoje ao Brasil! Difícil falar de Bolão enquanto o mundo e o Brasil capotam numa medíocre mesmice. (Baseado na crônica de José Cândido Póvoa)
Edição e Redação: Blog O Braço de Ouro